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PORTAL DO AUTOMÓVEL




Quinta-feira, 22.01.09

Dacia Sandero 1.5 dCi/70

No poupar está o ganho!

DEPOIS de uma entrada auspiciosa no mercado com o Logan – na versão MCV, carroçaria polivalente, misto de carrinha, monovolume e furgão, disponibilidade para 5 ou 7 ocupantes e um preço de entrada em torno dos 13 mil euros para a versão a gasolina -, a marca romena alargou recentemente a gama em Portugal com o Sandero, modelo apresentado em Portugal no Salão Automóvel de Lisboa do ano passado.
Ao contrário do Logan, (que existe também com carroçaria de 3 volumes, não comercializada entre nós), o Sandero só estará disponível com o motor 1.5 a gasóleo, em variantes de 70 e 85 cv, com uma diferença de preço de 1200 euros quando comparado com este na versão mais potente do motor, a única disponível para o Logan. Um valor que na realidade parece irrisório face à maior versatilidade e habitabilidade que aquele oferece, daí que se justifique a presença de um motor de 70 cv, numa versão mais barata e com menos equipamento, bastante interessante também para frotas empresariais ou de rent-a-car...

A VERDADE é que dificilmente se encontra quem ofereça mais pelo mesmo valor. A frase promocional «pense grande, pague pouco» diz tudo: na habitabilidade para o segmento - o Sandero pertence à classe dos utilitários onde se incluem modelos como o VW Polo, OpelFiat Grande Punto ou Renault Clio, Opel Corsa, , por exemplo -, não fica atrás dos seus pares e acaba ainda por oferecer algum equipamento extra, por um valor atraente. No que perde então? Na imagem, claro; na estética do conjunto, não exactamente a mais apelativa e na da marca, pouco ou nada conhecida, geradora de desconfiança face à qualidade do produto e menos ainda geradora de prestígio. Seja lá o que isto queira isto dizer, mas o facto é que muitos consumidores olham primeiro para a marca e só depois para o produto!


POR ISSO É QUE, por mais voltas que dê ao tema, torna-se inevitável focá-lo neste ponto: o preço. A terminologia low cost entrou de tal forma na moda e soa tão bem em tempos de crise como os actuais em que vivemos, que já não há produtor, independentemente do que tenha para comercializar, que não se sinta tentado a usar o conceito. E se na industria automóvel isso não é nada de novo, o facto tem-se generalizado até entre os grandes construtores que, adquirindo outras marcas de menor prestigio, conseguem construir e comercializar modelos novos ou versões actualizadas, a partir de antigas criações suas, com custos de desenvolvimento e produção mais baixos. O motivo é óbvio: oferecer o produto com um preço mais acessível, geralmente de qualidade inferior ou com recurso a materiais menos nobres, sem com isso afectar a reputação do fabricante que, na realidade, se encontra por detrás da marca que o comercializa.
E, caros leitores, há muito que isto acontece: dos detergentes aos electrodomésticos. Os automóveis não são excepção!

NO CASO concreto da Dacia, não há subterfúgio algum: a seguir ao nome aparece a expressão «by Renault», indicando claramente a proveniência de muito do material. No Sandero facilmente se encontram acessórios e equipamento da marca francesa, nomeadamente da geração anterior do Renault Clio, a mecânica toda ela originária daquele construtor, embora produzida no país de origem da marca Dacia, a Roménia.
O interior é pobre. Pobre em imagem e nada deslumbrante na qualidade dos materiais. Verdade seja dita que os plásticos acabam por se mostrar solidamente fixos, isentando o Sandero de ruídos parasitas em mau piso. O tablier é um bom indicador da economia também na simplificação de construção e de manutenção, como por exemplo os comandos dos vidros eléctricos situados sob o rádio...


SE O INTERIOR é simples, também não cansa muito. Aplicações de cores diferentes quebram alguma monotonia, e há polivalência e versatilidade nos pequenos espaços que proporciona. E mesmo quanto à funcionalidade não há nada de relevante a apontar. Não se perde tempo à procura dos comandos ou os instrumentos tem deficiente leitura. Bem pelo contrário!
Mais aparente é a habitabilidade que, à partida, parece maior do que na realidade oferece. O espaço dos bancos traseiros até é bom em altura, mas o das pernas irá estar condicionado pelas necessidades dos ocupantes dianteiros. Isto porque a bagageira é surpreendentemente ampla: 320 litros, ampliável aos 1200 com os bancos traseiros rebatidos, comprovam a intenção de o dotar com uma capacidade de carga superior ao habitual no segmento.
A condução não destoa do habitual. É um utilitário com boa visibilidade e capacidade de manobra, com uma direcção algo vaga em velocidade mas que não perde precisão, isto porque nos habituámos a uma assistência menor em velocidades mais baixas. Há uma inesperada robustez torcional do modelo que se em curva se comporta de forma precisa, em estrada também não se mostra instável face às forças contrárias. Digo isto porque o Sandero é um carro com alguma altura e com uma estrutura rígida e robusta, muito apropriada para os maus pisos dos mercados a que fundamentalmente se destina. Se isso poderia penalizar demasiado a capacidade de amortecimento da suspensão, a realidade é que o seu comportamento até patenteia um bom equilíbrio entre esta e o desempenho dinâmico.

O MOTOR que equipa a versão ensaiada é o mais fraco. Os 70 cavalos, escassos para o peso, penalizam todos os valores - aceleração, velocidade máxima e consumos - face ao mais potente. Excepto no preço. Ainda que os valores indicados pela marca afirmem o contrário - incluindo o mesmo para as emissões poluentes médias -, a falta de alguma agilidade na fase de arranque ou nas recuperações, importantes numa condução urbana, acabarão, na prática, por levar a maiores pressões sobre o pedal do acelerador. E nem uma caixa de 5 velocidades, que por vezes se mostra algo seca, conseguirá colmatar o défice de binário para movimentar o peso superior a uma tonelada. Neste que é, seguramente um dos melhores motores diesel de pequena cilindrada, cujo desempenho neste caso é apenas o bastante para um andamento mais tranquilo. O seu trabalhar até uma faixa em torno das 2000 rpm faz-se também sentir no habitáculo. A partir dai o som atenua.
Para os cépticos em relação à qualidade ou à fiabilidade, a garantia é de 3 anos ou 100 mil quilómetros. E há que não esquecer uma coisa importante: numa marca jovem, que procura o seu espaço e conquistar mercado, não se podem correr riscos de fiabilidade, mais a mais quando o principal responsável «dá a cara»!


PREÇO, desde 13 750 euros MOTOR, 1461 cc, 68 cv às 4000 r.p.m., 160 Nm às 1700 rpm, 8 V, Common Rail, turbo, permutador de calor ar ar CONSUMOS, 5,0/4,3/4,5 l (cidade/estrada/misto) EMISSÕES POLUENTES 120 g/km de CO2

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